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Como calcular markup sem prejudicar a margem de lucro

Imagine uma loja que compra um produto por R$ 100 e o vende por R$ 180.

O empresário olha para esses números e conclui:

— Estou colocando 80% em cima. Minha margem está excelente.

A percepção parece lógica. Afinal, existe uma diferença de R$ 80 entre o custo da mercadoria e o preço cobrado do cliente.

A loja vende bem. O produto gira. O faturamento cresce. Os vendedores recebem suas comissões e o movimento no caixa transmite a sensação de que a operação está funcionando.

Mas, quando o mês termina, o resultado é decepcionante.

Depois de pagar os impostos, as taxas do cartão, as comissões, o aluguel, os funcionários, os sistemas, o frete e as demais despesas, sobra muito menos dinheiro do que o esperado.

Em alguns meses, não sobra nada.

O empresário passa a desconfiar das despesas, dos funcionários, do contador, dos impostos ou até do próprio negócio. Porém, o problema pode estar em uma frase aparentemente inofensiva:

“Eu coloco 80% em cima do custo.”

Acrescentar 80% ao custo não significa obter uma margem de lucro de 80%.

No exemplo apresentado, comprar por R$ 100 e vender por R$ 180 representa um acréscimo de 80% sobre o custo. Entretanto, a diferença de R$ 80 corresponde a apenas 44,44% do preço de venda.

E esses 44,44% ainda precisam pagar impostos, taxas, comissões, despesas fixas e perdas antes que exista lucro verdadeiro.

Essa confusão entre markup, acréscimo sobre o custo e margem de lucro é uma das causas mais comuns de erros na precificação.

Saber como calcular markup ajuda a empresa a formar preços de maneira padronizada. Porém, utilizar o índice sem compreender seus componentes pode criar uma falsa sensação de rentabilidade.

Neste guia, você aprenderá:

  • o que é markup;
  • como calcular markup divisor;
  • como calcular markup multiplicador;
  • qual é a diferença entre markup e margem de lucro;
  • quais despesas devem entrar na fórmula;
  • como adaptar o cálculo ao comércio;
  • como considerar impostos, cartões e comissões;
  • como aplicar descontos sem destruir a margem;
  • quais erros precisam ser evitados.

O que é markup?

Markup é um índice utilizado para transformar o custo de um produto em preço de venda.

Em vez de analisar cada componente do preço separadamente a cada venda, a empresa reúne os percentuais que precisam ser cobertos e cria um índice aplicável ao custo da mercadoria.

Esse índice pode ser apresentado de duas maneiras:

  1. markup divisor;
  2. markup multiplicador.

Os dois conduzem ao mesmo preço quando são calculados com os mesmos dados.

De forma simplificada, o markup procura incluir no preço:

  • despesas variáveis;
  • participação das despesas fixas;
  • tributos;
  • comissões;
  • taxas;
  • margem de lucro desejada.

O Sebrae apresenta o markup como um índice aplicado ao custo para auxiliar a determinação do preço de venda. A entidade também alerta que o método precisa considerar a estrutura de gastos do negócio e não deve ser utilizado sem comparação com o mercado.

Resposta rápida: como calcular markup?

Para calcular markup, siga quatro passos:

  1. identifique os percentuais incidentes sobre a venda;
  2. some despesas variáveis, despesas fixas e lucro desejado;
  3. subtraia essa soma de 100%;
  4. divida 100 pelo percentual restante para encontrar o markup multiplicador.

A fórmula é:

Markup multiplicador = 100 ÷ [100 – (DV + DF + ML)]

Em que:

  • DV: despesas variáveis;
  • DF: participação das despesas fixas;
  • ML: margem de lucro desejada.

Também é possível utilizar a fórmula decimal:

Markup multiplicador = 1 ÷ [1 – (DV + DF + ML)]

O Sebrae/SC apresenta essa lógica de cálculo e destaca que despesas, custos e lucro precisam estar adequadamente considerados na formação do preço.

Como calcular markup divisor?

O markup divisor representa a parte do preço que ficará disponível para cobrir o custo da mercadoria.

Sua fórmula é:

Markup divisor = 1 – (DV + DF + ML)

Considere uma empresa com os seguintes percentuais:

  • impostos: 8%;
  • comissões: 3%;
  • taxas de pagamento: 2%;
  • participação das despesas fixas: 15%;
  • margem de lucro desejada: 12%.

Primeiramente, somamos os percentuais:

8% + 3% + 2% + 15% + 12% = 40%.

Em número decimal:

40% = 0,40.

Aplicando a fórmula:

Markup divisor = 1 – 0,40

Markup divisor = 0,60

Se o produto custar R$ 120:

Preço de venda = R$ 120 ÷ 0,60

Preço de venda = R$ 200

Portanto, o markup divisor será 0,60 e o preço calculado será R$ 200.

Como calcular markup multiplicador?

O markup multiplicador é o índice aplicado diretamente ao custo.

A fórmula é:

Markup multiplicador = 1 ÷ markup divisor

Utilizando o markup divisor de 0,60:

Markup multiplicador = 1 ÷ 0,60

Markup multiplicador = 1,6667

Aplicando esse índice ao custo:

Preço de venda = R$ 120 × 1,6667

Preço de venda aproximado = R$ 200

O resultado é o mesmo.

A diferença está apenas na maneira de realizar o cálculo:

  • com o markup divisor, divide-se o custo;
  • com o markup multiplicador, multiplica-se o custo.

Exemplo completo de como calcular markup

Considere uma loja de artigos para casa em Criciúma.

Ela compra determinado produto por R$ 150 e possui a seguinte estrutura estimada:

ComponentePercentual
Impostos sobre a venda7%
Comissão3%
Taxa média dos pagamentos2,5%
Perdas e garantias1,5%
Participação das despesas fixas16%
Lucro desejado10%
Total40%

Primeiro passo: calcular o markup divisor

Markup divisor = 1 – 0,40

Markup divisor = 0,60

Segundo passo: calcular o markup multiplicador

Markup multiplicador = 1 ÷ 0,60

Markup multiplicador = 1,6667

Terceiro passo: calcular o preço

Preço = R$ 150 × 1,6667

Preço aproximado = R$ 250

Quarto passo: conferir a composição

ComponenteValor
Custo da mercadoriaR$ 150,00
Impostos — 7%R$ 17,50
Comissão — 3%R$ 7,50
Taxas — 2,5%R$ 6,25
Perdas e garantias — 1,5%R$ 3,75
Despesas fixas — 16%R$ 40,00
Lucro — 10%R$ 25,00
Preço de vendaR$ 250,00

A conferência é indispensável.

O empresário não deve apenas aplicar o índice e confiar no resultado. É recomendável decompor o preço para verificar se todos os valores foram distribuídos como planejado.

Markup e margem de lucro são a mesma coisa?

Não.

Markup e margem de lucro observam o preço por perspectivas diferentes.

O markup normalmente relaciona o preço ao custo.

A margem relaciona o resultado ao preço de venda.

Considere um produto comprado por R$ 100 e vendido por R$ 200.

O acréscimo sobre o custo foi de R$ 100.

Em percentual:

R$ 100 ÷ R$ 100 = 100%

Portanto, o produto recebeu um acréscimo de 100% sobre o custo.

Porém, a diferença de R$ 100 corresponde à metade do preço de venda:

R$ 100 ÷ R$ 200 = 50%

Logo:

  • acréscimo sobre o custo: 100%;
  • margem bruta antes das demais despesas: 50%.

E essa margem bruta ainda não representa necessariamente o lucro líquido.

Dela ainda podem sair:

  • impostos;
  • comissões;
  • taxas;
  • despesas fixas;
  • perdas;
  • despesas financeiras.

É por isso que a frase “coloquei 100%, então ganhei 100%” está incorreta.

Tabela de comparação entre acréscimo e margem

Considerando apenas custo e preço, sem outras despesas:

Acréscimo sobre o custoCustoPreçoMargem sobre o preço
20%R$ 100R$ 12016,67%
30%R$ 100R$ 13023,08%
50%R$ 100R$ 15033,33%
80%R$ 100R$ 18044,44%
100%R$ 100R$ 20050%
150%R$ 100R$ 25060%
200%R$ 100R$ 30066,67%

Essa tabela deixa claro que o acréscimo sobre o custo sempre será diferente da margem calculada sobre o preço.

O que deve entrar no cálculo do markup?

A qualidade do índice depende da qualidade das informações utilizadas.

Um markup calculado com percentuais incompletos produz um preço incompleto.

Impostos sobre a venda

A carga tributária utilizada na fórmula precisa refletir a operação real.

Ela pode variar conforme:

  • regime tributário;
  • faturamento acumulado;
  • atividade da empresa;
  • produto;
  • NCM;
  • origem da mercadoria;
  • destino da venda;
  • tipo de cliente;
  • existência de benefícios fiscais;
  • substituição tributária;
  • tributação monofásica;
  • tratamento específico da receita.

O erro comum é utilizar a alíquota nominal do regime como se ela representasse, automaticamente, o percentual efetivo de todas as vendas.

Uma empresa do Simples Nacional, por exemplo, precisa observar a alíquota efetiva e a segregação correta das receitas. Já empresas dos regimes de Lucro Presumido e Lucro Real devem considerar a incidência tributária aplicável à operação e a sistemática de créditos quando existente.

O markup não substitui a análise tributária.

Ele apenas transforma os percentuais informados em um índice. Se a tributação estiver errada, o preço calculado também estará.

Comissões

Quando a comissão é calculada sobre o valor vendido, ela deve entrar como percentual.

Uma comissão de 4% sobre um preço de R$ 500 representa R$ 20.

Se o cálculo ignorar esse valor, os R$ 20 sairão da margem planejada.

Também é necessário verificar se a comissão incide:

  • sobre o valor bruto;
  • sobre o valor líquido;
  • antes ou depois de descontos;
  • sobre vendas recebidas ou apenas faturadas;
  • sobre frete;
  • sobre serviços complementares.

Taxas de cartão

Não basta inserir a menor taxa anunciada pela operadora.

A empresa precisa analisar quanto efetivamente paga considerando:

  • débito;
  • crédito à vista;
  • parcelamento;
  • antecipação;
  • tarifas fixas;
  • bandeiras;
  • prazos de recebimento.

Uma alternativa é criar uma taxa média ponderada a partir do histórico.

Suponha:

  • 20% das vendas por Pix, sem taxa;
  • 30% no cartão à vista, com taxa de 1,8%;
  • 50% parceladas, com custo médio de 4%.

Cálculo:

  • 20% × 0% = 0%;
  • 30% × 1,8% = 0,54%;
  • 50% × 4% = 2%.

Taxa média:

0% + 0,54% + 2% = 2,54%

Nesse cenário, utilizar 2,54% no markup pode ser mais coerente do que considerar somente a taxa do crédito à vista.

Tarifas de marketplaces

Vender em um marketplace pode envolver:

  • comissão;
  • tarifa fixa;
  • frete subsidiado;
  • custo de anúncios;
  • antecipação;
  • devoluções;
  • armazenamento;
  • fulfillment;
  • descontos obrigatórios;
  • campanhas promocionais.

Por isso, o mesmo produto pode precisar de preços diferentes na loja física, no site próprio e no marketplace.

O Sebrae disponibiliza ferramenta específica para precificação em marketplaces e destaca que cada plataforma possui regras e custos capazes de alterar a margem do vendedor.

Perdas e devoluções

Nem tudo o que é comprado será vendido em condições normais.

Dependendo do segmento, podem existir:

  • produtos vencidos;
  • avarias;
  • furtos;
  • extravios;
  • devoluções;
  • trocas;
  • garantias;
  • obsolescência;
  • quebra;
  • diferença de inventário.

Se o histórico mostra perda média de 2% do faturamento, ignorar esse percentual não faz o problema desaparecer. Ele será absorvido pelo resultado.

Frete e embalagem

O frete de compra pode fazer parte do custo de aquisição. Já o frete de entrega ao cliente pode ser tratado como despesa variável da venda.

A embalagem também precisa ser considerada quando representar um custo relevante e recorrente.

Despesas fixas

Os produtos precisam contribuir para o pagamento da estrutura empresarial.

Entre as despesas fixas podem estar:

  • aluguel;
  • salários administrativos;
  • honorários contábeis;
  • sistemas;
  • internet;
  • energia mínima da operação;
  • seguros;
  • telefone;
  • vigilância;
  • manutenção;
  • despesas administrativas.

Uma metodologia inicial consiste em dividir as despesas fixas pelo faturamento projetado.

Exemplo:

  • despesas fixas mensais: R$ 30 mil;
  • faturamento esperado: R$ 200 mil.

R$ 30 mil ÷ R$ 200 mil = 15%

Assim, a participação estimada das despesas fixas seria de 15%.

Esse percentual precisa ser analisado com cautela. Se o faturamento projetado for otimista demais, o markup ficará artificialmente baixo.

Margem de lucro desejada

O lucro não deve ser simplesmente o percentual que o empresário “gostaria de ganhar”.

A margem deve ser compatível com:

  • risco;
  • giro do produto;
  • prazo de recebimento;
  • capital imobilizado;
  • sazonalidade;
  • concorrência;
  • necessidade de reinvestimento;
  • perdas;
  • posicionamento;
  • elasticidade do preço;
  • custo de oportunidade.

Um item de alto giro pode suportar margem menor. Um produto de baixo giro, alto risco de obsolescência ou elevado valor de estoque pode exigir margem superior.

Como calcular markup sem usar uma despesa fixa irreal?

Essa é uma das partes mais delicadas.

Imagine uma loja em Araranguá com despesas fixas de R$ 40 mil.

O empresário acredita que faturará R$ 400 mil por mês e calcula:

R$ 40 mil ÷ R$ 400 mil = 10%

Ele insere 10% no markup.

Porém, o faturamento real fica em R$ 250 mil.

Nesse caso, as despesas fixas representam:

R$ 40 mil ÷ R$ 250 mil = 16%

O markup foi calculado com 10%, mas a empresa precisou suportar 16%.

Os seis pontos percentuais de diferença saíram do lucro ou do caixa.

Para evitar esse problema, é recomendável trabalhar com três cenários:

Cenário conservador

Utiliza um faturamento menor e gera um percentual maior de despesas fixas.

Cenário provável

Utiliza a média mais realista da empresa.

Cenário otimista

Considera crescimento, sazonalidade favorável ou aumento de volume.

A formação do preço deve continuar viável no cenário provável e ser acompanhada no conservador.

Todo produto deve ter o mesmo markup?

Não.

Aplicar o mesmo markup a todos os produtos facilita a operação, mas pode gerar distorções importantes.

Os itens podem apresentar diferenças de:

  • tributação;
  • taxa de perda;
  • giro;
  • volume;
  • prazo de reposição;
  • custo de armazenagem;
  • concorrência;
  • comissão;
  • valor percebido;
  • risco de obsolescência;
  • necessidade de suporte;
  • custo financeiro.

Por exemplo:

Produto de alto giro

Pode aceitar uma margem menor, desde que gere contribuição frequente e não imobilize estoque por muito tempo.

Produto de baixo giro

Pode precisar de margem maior para compensar o capital parado e o risco.

Produto chamariz

Pode ser vendido com margem reduzida para atrair clientes, desde que a estratégia aumente a venda de outros itens rentáveis.

Produto exclusivo

Pode suportar margem superior devido à menor comparação direta.

Produto com concorrência intensa

Pode exigir eficiência de compra e operação para manter um preço competitivo.

O ideal é trabalhar com markups por:

  • categoria;
  • canal;
  • tributação;
  • giro;
  • estratégia comercial.

Markup alto significa lucro alto?

Não necessariamente.

Um markup alto pode ser necessário apenas para cobrir uma estrutura cara.

Considere duas empresas.

Empresa A

  • markup multiplicador: 2;
  • despesas elevadas;
  • muitas perdas;
  • alto custo financeiro;
  • baixo giro.

Empresa B

  • markup multiplicador: 1,6;
  • operação eficiente;
  • poucas perdas;
  • compras bem negociadas;
  • alto giro.

Mesmo usando um índice menor, a Empresa B pode ser mais lucrativa.

O markup mostra como o preço é formado. Ele não substitui a análise do resultado efetivo.

Como calcular a margem depois de aplicar o markup?

Depois de encontrar o preço, é preciso conferir quanto sobra.

Considere:

  • preço de venda: R$ 250;
  • custo: R$ 150;
  • impostos: R$ 17,50;
  • comissão: R$ 7,50;
  • taxas: R$ 6,25;
  • perdas: R$ 3,75.

Margem de contribuição:

R$ 250 – R$ 150 – R$ 17,50 – R$ 7,50 – R$ 6,25 – R$ 3,75

Margem de contribuição = R$ 65

Percentual da margem de contribuição:

R$ 65 ÷ R$ 250 = 26%

Os R$ 65 contribuirão para pagar as despesas fixas e formar o lucro.

Se a participação planejada das despesas fixas for de 16%, equivalente a R$ 40, restarão R$ 25.

Nesse exemplo, o resultado projetado será de 10% do preço.

A conferência demonstra se o markup cumpriu sua finalidade.

Como o desconto afeta o markup e a margem?

O preço original pode ter sido calculado corretamente, mas um desconto concedido sem análise pode desfazer toda a lógica.

Considere o produto de R$ 250.

Sua composição previa:

  • R$ 150 de custo;
  • R$ 75 em despesas, tributos e participação da estrutura;
  • R$ 25 de lucro.

Agora imagine um desconto de 10%.

Novo preço:

R$ 250 – 10% = R$ 225

A redução foi de R$ 25.

Esse valor equivale a todo o lucro originalmente planejado.

Mesmo que alguns percentuais variáveis diminuam junto com o preço, o desconto poderá consumir a maior parte do resultado.

Por isso, uma empresa não deve afirmar que “pode dar 10%” apenas porque aplicou um markup alto.

É necessário conhecer:

  • margem de contribuição;
  • preço mínimo;
  • custos variáveis;
  • despesas fixas;
  • lucro após o desconto;
  • volume adicional necessário.

Como descobrir o preço mínimo de venda?

O preço mínimo depende do horizonte da decisão.

Preço mínimo operacional de curto prazo

É o valor que cobre o custo da mercadoria e as despesas diretamente variáveis.

Pode ser utilizado em uma decisão excepcional, como liquidação de estoque, desde que a empresa compreenda que a venda talvez não contribua adequadamente para a estrutura.

Preço mínimo sustentável

É o valor que cobre:

  • custo;
  • despesas variáveis;
  • impostos;
  • participação das despesas fixas;
  • margem mínima necessária.

Esse é o preço que ajuda a preservar a operação no longo prazo.

Vender frequentemente abaixo do preço sustentável pode gerar faturamento sem retorno.

Markup para loja física, e-commerce e marketplace

O canal altera a estrutura da venda.

Loja física

Pode apresentar:

  • aluguel;
  • equipe de atendimento;
  • perdas;
  • exposição;
  • energia;
  • taxas de cartão;
  • manutenção.

E-commerce próprio

Pode envolver:

  • plataforma;
  • gateway;
  • mídia paga;
  • embalagem;
  • frete;
  • logística reversa;
  • fraude;
  • suporte;
  • hospedagem.

Marketplace

Pode incluir:

  • comissão da plataforma;
  • tarifa fixa;
  • armazenamento;
  • fulfillment;
  • publicidade;
  • frete subsidiado;
  • antecipação;
  • devoluções;
  • descontos promocionais.

Aplicar o mesmo preço em todos os canais sem analisar essas diferenças pode comprometer a rentabilidade.

Como calcular markup em empresas do Simples Nacional?

O principal cuidado é utilizar um percentual tributário coerente com a realidade da empresa.

Não basta inserir a menor alíquota nominal do anexo.

A alíquota efetiva pode variar conforme:

  • receita bruta acumulada;
  • faixa;
  • parcela a deduzir;
  • atividade;
  • segregação das receitas;
  • tributação específica do produto.

Para fins gerenciais, a empresa pode trabalhar com a alíquota efetiva atual ou com uma projeção compatível com o faturamento esperado.

Caso esteja próxima de mudar de faixa, utilizar apenas o percentual histórico pode subestimar a carga futura.

Como calcular markup no Lucro Presumido?

No Lucro Presumido, devem ser analisados os tributos incidentes sobre faturamento e resultado presumido, além da tributação estadual ou municipal aplicável.

O cuidado está em não transformar tributos apurados trimestralmente em valores invisíveis para a precificação.

O fato de IRPJ e CSLL não incidirem diretamente em cada nota fiscal não significa que possam ser ignorados no planejamento da margem.

A empresa precisa estimar sua carga e incorporá-la corretamente à análise gerencial, evitando confundir imposto sobre faturamento com imposto calculado sobre a base presumida.

Como calcular markup no Lucro Real?

No Lucro Real, a análise pode exigir maior detalhamento, especialmente devido à possibilidade de créditos e à tributação do lucro efetivamente apurado.

Não é recomendável inserir automaticamente no markup uma soma de alíquotas nominais sem avaliar:

  • créditos;
  • débitos;
  • despesas dedutíveis;
  • margem real;
  • composição das operações;
  • variações de resultado.

Nesse regime, a integração entre contabilidade, fiscal, estoque e precificação é ainda mais relevante.

Markup no comércio de Santa Catarina

A definição de preços no comércio catarinense precisa combinar cálculo interno e leitura de mercado.

Dados recentes do IBGE demonstram que o varejo pode apresentar oscilações relevantes: em abril de 2026, o volume de vendas em Santa Catarina recuou 3,6% frente ao mês anterior; em maio de 2026, porém, o estado registrou crescimento de 7% em comparação com maio de 2025. Esses movimentos reforçam a necessidade de acompanhar demanda, custos e margens continuamente, em vez de manter preços estáticos durante longos períodos.

Empresas de Araranguá, Criciúma, Içara, Sombrio, Turvo e outras cidades da região também enfrentam concorrência de:

  • grandes redes;
  • e-commerces nacionais;
  • marketplaces;
  • fornecedores que vendem diretamente;
  • empresas de outros estados;
  • operações informais.

A solução não é simplesmente reduzir o markup.

Antes disso, o empresário deve identificar:

  • quais produtos atraem clientes;
  • quais produtos geram lucro;
  • quais permanecem muito tempo no estoque;
  • quais suportam uma margem maior;
  • quais canais consomem mais rentabilidade;
  • quais fornecedores permitem melhor negociação;
  • quais despesas podem ser reduzidas.

O preço precisa estar visível e corretamente informado

Além de calcular o preço, a empresa precisa apresentá-lo de forma adequada ao consumidor.

O Procon de Santa Catarina orienta que os preços sejam informados de maneira visível e legível. Nas vendas parceladas, devem ser apresentados o preço, a quantidade e o valor das parcelas, o total a pagar, os juros e eventuais acréscimos. Para o comércio eletrônico, o preço à vista deve aparecer de forma ostensiva junto à imagem ou à descrição do produto.

Portanto, a estratégia comercial precisa conciliar:

  • cálculo correto;
  • comunicação transparente;
  • diferenciação entre preço à vista e parcelado;
  • informação completa ao consumidor.

Erros mais comuns ao calcular markup

1. Confundir markup com margem

Um acréscimo de 100% sobre o custo não representa margem de 100% sobre o preço.

2. Utilizar a alíquota tributária errada

O índice fica incorreto quando a carga utilizada não representa a operação.

3. Ignorar taxas de pagamento

O custo do cartão reduz a margem em cada venda.

4. Não considerar comissões

A comissão é despesa variável quando depende do faturamento.

5. Trabalhar com faturamento superestimado

Isso reduz artificialmente a participação das despesas fixas.

6. Aplicar o mesmo markup a todos os produtos

Categorias diferentes podem exigir índices diferentes.

7. Não atualizar os custos

Um markup aplicado sobre custo antigo gera preço defasado.

8. Ignorar perdas e devoluções

Esses valores acabam sendo absorvidos pela margem.

9. Copiar o markup de outra empresa

Cada negócio possui estrutura, tributação e estratégia próprias.

10. Dar desconto sem recalcular o resultado

O desconto pode retirar todo o lucro projetado.

11. Usar o mesmo preço em todos os canais

Marketplace, loja física e e-commerce possuem custos diferentes.

12. Não conferir a composição depois do cálculo

A fórmula precisa ser validada em valores monetários.

Passo a passo para criar uma planilha de markup

Uma planilha simples pode conter estas colunas:

  1. nome do produto;
  2. código;
  3. categoria;
  4. custo de aquisição;
  5. frete de compra;
  6. custo total;
  7. impostos;
  8. comissão;
  9. taxa de pagamento;
  10. outras despesas variáveis;
  11. participação das despesas fixas;
  12. lucro desejado;
  13. markup divisor;
  14. markup multiplicador;
  15. preço calculado;
  16. preço de mercado;
  17. preço praticado;
  18. margem de contribuição;
  19. preço mínimo;
  20. data da última atualização.

Também é recomendável criar alertas para:

  • margem negativa;
  • preço abaixo do mínimo;
  • custo desatualizado;
  • diferença elevada em relação ao mercado;
  • produto sem tributação cadastrada;
  • markup superior ou inferior ao padrão da categoria.

Com que frequência o markup deve ser revisado?

A revisão deve ocorrer sempre que houver mudança relevante em:

  • custo dos fornecedores;
  • frete;
  • impostos;
  • comissões;
  • taxas de cartão;
  • despesas fixas;
  • volume de vendas;
  • giro;
  • concorrência;
  • comportamento dos consumidores;
  • canais de venda.

Produtos com custos voláteis podem exigir revisão semanal. Outros podem ser revisados mensal ou trimestralmente.

O importante é não tratar o markup como um número permanente.

Perguntas frequentes sobre como calcular markup

O que é markup?

Markup é um índice utilizado para transformar o custo de um produto em preço de venda, considerando despesas, tributos e lucro desejado.

Como calcular markup de um produto?

Some os percentuais de despesas variáveis, despesas fixas e margem desejada. Subtraia essa soma de 100 e divida 100 pelo resultado.

Qual é a fórmula do markup?

Markup = 100 ÷ [100 – (DV + DF + ML)]

O que é markup divisor?

É o percentual restante do preço depois de retirar despesas e lucro planejado. O custo é dividido por esse índice para encontrar o preço.

O que é markup multiplicador?

É o índice aplicado diretamente ao custo. Ele é calculado dividindo 1 pelo markup divisor.

Markup de 2 significa qual margem?

Considerando somente custo e preço, markup multiplicador de 2 significa que o preço será o dobro do custo. A margem bruta sobre o preço será de 50%.

Markup de 100% significa lucro de 100%?

Não. Um acréscimo de 100% sobre o custo representa margem bruta de 50% sobre o preço antes das demais despesas.

Existe um markup ideal para o comércio?

Não existe um índice universal. O markup depende de custos, tributos, despesas, giro, risco, concorrência e margem desejada.

Posso usar o mesmo markup em todos os produtos?

Não é recomendável quando existem diferenças relevantes de tributação, giro, perdas, concorrência e valor percebido.

Impostos entram no markup?

Sim, desde que seja utilizado um percentual coerente com a operação e com o regime tributário.

Taxas de cartão entram no markup?

Sim. Pode ser utilizada a taxa específica de cada condição ou uma média ponderada baseada no histórico.

Como incluir despesas fixas no markup?

Divida as despesas fixas pelo faturamento projetado para obter um percentual inicial. Utilize uma projeção realista e revise o cálculo regularmente.

O desconto deve ser aplicado depois do markup?

O preço pode receber desconto, mas o impacto sobre a margem precisa ser recalculado antes da concessão.

O markup garante lucro?

Não. Ele ajuda a formar o preço, mas o lucro depende do volume vendido, despesas reais, perdas, giro, descontos e eficiência da empresa.

Conclusão: o markup é uma ferramenta, não uma garantia

O empresário da história inicial acreditava que acrescentar 80% ao custo significava trabalhar com uma margem confortável.

Quando os números foram decompostos, percebeu que a diferença entre o custo e o preço precisava financiar quase toda a empresa.

O markup utilizado não estava necessariamente errado por ser alto ou baixo.

Ele estava incompleto.

Não considerava corretamente:

  • a taxa média dos pagamentos;
  • as perdas;
  • a comissão;
  • a carga tributária efetiva;
  • a participação real das despesas fixas.

Depois da revisão, a empresa deixou de utilizar um único índice para toda a loja.

Os produtos foram separados por categorias.

Alguns tiveram preços reajustados. Outros receberam margens menores por causa do alto giro. Determinados itens foram renegociados com fornecedores. E os produtos que não conseguiam competir sem gerar prejuízo foram retirados do mix.

A maior mudança, porém, não ocorreu nas etiquetas.

O empresário parou de perguntar:

“Quanto eu coloco em cima do custo?”

E passou a perguntar:

“Quanto esse produto precisa gerar para pagar a operação e entregar o resultado esperado?”

Essa é a pergunta que transforma o markup em uma ferramenta de gestão.

Saber como calcular markup é importante. Mas compreender o que existe dentro do índice é ainda mais importante.

Uma empresa não perde dinheiro porque utilizou uma fórmula.

Ela perde dinheiro quando alimenta a fórmula com informações erradas, incompletas ou desatualizadas.

A Sulcontábil auxilia empresas comerciais de Araranguá, Criciúma e outras cidades de Santa Catarina na análise de custos, tributação, margem de contribuição e formação do preço de venda.

Antes de aplicar o mesmo índice em todo o estoque, avalie:

O markup utilizado pela sua empresa representa a operação real ou apenas repete um percentual definido há vários anos?

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